Voltando à história dos fluxos, dos pensamentos, das
energias, nem em meus delírios mais intensos, nem, quem sabe, à base de
mescalina, poderia ter a noção de que a vida me presentearia desta forma.
Talvez eu até prospectasse, entretanto, durante certo tempo, a vida e, as
pessoas que atraí, fizeram com que eu não fosse capaz de crer que era possível.
Não conheço sua história por inteiro, até prefiro que seja assim, você me
conhece bem. Gosto de fantasiar, pensar que tudo começou a partir dali, a
partir de mim. Quando começamos a escrever nosso trecho do livro, peguei as
demais páginas e ateei fogo. Não sou saudosista, nem apegado. Mal havíamos terminado
a segunda, terceira folha, e me dei conta de que os capítulos anteriores eram
apenas referentes, uma espécie de manual de “como não se fazer”, mas que não
serviriam nem para prefácio do nosso, que, diferentemente, íamos construindo em
parceria.
Parceria. Essa é a palavra chave, é por este ponto que passa
o sucesso do enredo, que completa mais um ciclo, e de sucesso. Como correu o
tempo. Amizade, companheirismo, amor e pimenta nunca andaram de mãos dadas, ao
menos para mim, ao menos até aquele dia. Dotada de uma sinceridade que salta
aos poros do rosto, de um olhar que intriga mais do que minhas dúvidas e de uma
doçura que me encanta, enxergo-te como um desafio, e me desafio. Desafio-me, a
cada dia, fazer-te feliz, a manter o gostinho do primeiro beijo, da primeira
vez. Desafio-me a corresponder a tuas expectativas, a manter o brilho em seus
olhos, que me faz ter forças pra continuar quando penso em largar tudo. Quero galgar
o topo e te puxar junto comigo. Não te largo, não te deixo. Escolhi e fui
escolhido, não há a possibilidade de você ficar para trás, não seguir comigo, a
menos que queira. É a primeira vez que penso assim. Sou mutável, sou de lua.
Almejo algo, alcanço e mergulho fundo. Já larguei tudo, mais de uma vez. Já
poderia tê-lo feito novamente, mas não. Preferi continuar, pela a primeira vez.
Orgulho-me do estamos construindo. É a primeira vez, é fato inédito. Não tive surto,
nem crise existencial artística que me desse vontade de destruir nossa obra. Optei
por continuar. E Optei por continuar porque é a primeira vez que não escrevo
história apenas para preencher páginas, e nem conto as folhas escritas pra ver
quantas faltam para o fim. É a primeira que, todos os dias, são como a primeira
vez.
Um texto especial, feito para Tatiane Bispo.





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